A propósito da Gala dos Gato Fedorento, pus-me a pensar se de facto eles serão realmente um fenómeno ou se simplesmente aproveitaram uma oportunidade no mercado.
Não há dúvida que o Ricardo tem jeito para a coisa, e escreve muito bem. O Zé Diogo também tem piada, mas o Miguel e o Tiago são um bocadinho desensaboados, sem grande jeito para estarem à frente da TV, e, pelo que li no blog deles, sem grande jeito para a escrita. São, diria, os parentes pobres dos outros dois e andam um bocado à muleta destes, se bem que o Ricardo é o grande impulsionador do grupo e, sem ele, aquilo não passava da primeira série...
Se repararmos, os sketches são banais (e talvez aí está o grande trunfo deles), gozando com o próximo e com as coisas mais frequentes do dia a dia, indo buscar muita da inspiração ao Seinfeld e, acima de tudo, aos Monty Python. Aliás aos Monty eles em alguns casos praticamente adaptam sketches famosos ao português...
Ora, este tipo de humor é o mesmo que nós usamos no nosso circulo de amigos e não é assim tão difícil de produzir, eu, em meia horita de masturbação delinei 3 ou 4 sketches que teriam mais piada que a maioria dos deles, se eu tivesse um Ricardo para fazer de actor, porque pelo texto eu ia lá... (para para limpar os beiços)
Mas se nós pensarmos no que fazemos quando estamos juntos, em que gozamos uns com os outros permanentemente e nos fartamos de rir à custa disso, passar isto para texto não seria dificil e ter um personagem que diz "coiso" a qualquer pergunta ou compensar as fraquezas do orçamento com coisas como "isto não é o consultório? - Não, isso é no outro sketche, agora isto aqui é uma Repartição de Finanças" não parece complicado.
No fundo, e sem lhes tirar o mérito, é isto que eles fazem e com dois sacos mortos a tentar representar... Se olharmos para o "Diz que é uma espécie de maganize", eu a certa altura deixei de ver o programa (os últimos 5 ou 6 programas) porque o modelo estava completamente esgotado, e só se aproveitavam os tesourinhos, mas essa parte (a que tinha mais piada no fundo) era a mais fácil de produzir. Bastava seleccionar o momento de uma pré-selecção que a RTP certamente fazia (não me cheira que eram eles a vasculhar o arquivo da RTP ou conhecessem os momentos de cor, vá lá, os primeiros deviam ter na memória) e gozar depois com o ridiculo destas situações é bem mais fácil do que os textos que eles produziam nas suas séries anteriores.
Claro que o resto do programa que acentava nos acontecimentos da semana era muito mais complicado e desgastante de escrever e provavelmente por isso é que para o fim já não estava a alimentar as expectativas.
Espero que voltem ao modelo dos sketches e eu vou imaginando os nossos, com douradinhos à mistura, CM, faxes, etc e tal.
Coiso...
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