terça-feira, junho 26, 2007

Lugar reservado

A coisa que mais me entristece nas viagens a Angola é ter a certeza que não me vou lembrar de todos os episódios que por aqui passei...
Estava a passar na marginal de Luanda e reparei na bandeira espanhola num dos edifícios. Conclusão lógica: deve ser a embaixada espanhola. E era! Até aqui tudo bem....
Como é mesmo muito complicado estacionar na marginal, normalmente os edifícios têm alguns lugares de estacionamento reservados para quem lá trabalha. Como é lógico, a embaixada também tem.

(A piada vem agora)
Estava a passar em frente ao edifício da embaixada, e reparo que o espaço dos lugares de estacionamento da embaixada de Espanha coincide em largura com a passagem de peões...

Citando os nativos: Yá....

Luanda et all

Após mais de um mês em Luanda a coisa que mais me admira continua a ser a obsessão destes gajos com a lavagem dos carros... Como é que é possível que, no meio de África; num país em que mais de 80% da população não tem água canalizada e os 20% que têm, recebem água pior do que a água do Algarve; onde no Cacimbo (o equivalente ao Inverno do hemisfério Norte) a temperatura mais baixa são 20ºc; como é que é possível que não consigamos passar numa rua sem ver um gajo a lavar o carro???
Mas não é lavar o carro como eu lavava o carro da minha mãe em casa para receber 2 contos, é esfregar os pneus, deixar as jantes esplendorosas e deixar os vidros tão brilhantes como diamantes. Se há coisa em que estes gajos se esforçam é a lavar o carro!!!!
No fim da semana que passou o motorista virou-se para mim: "É preciso lavar o carro..." do género, tens que me dar dinheiro para lavar o carro. Ao qual eu respondi: "Pois é. Tens que falar com o outro motorista para ver como é que ele faz isso...". Hoje disse-me "Deixo o patrão no escritório e depois vou a casa lavar o jipe e o carro."
Se calhar esta obsessão tem a haver com a quantidade de gajos que são multados ou presos por terem o carro sujo!!!

It's Africa. Forget everything you know...

quinta-feira, junho 14, 2007

Metro

Isto de andar no Metro todos os dias, tem que se lhe diga. Os fenómenos cómicos sucedem-se e começamos a reparar nos padrões comportamentais das pessoas.

A primeira é sem dúvida a dança que se verifica a quando da chegada do metro. As pessoas não ficam no sitio onde estão e esperam que o metro pare para se deslocarem para a porta, antes, começam a andar no sentido em que o metro vai, como se ele fosse fugir e fosse preciso ir atrás dele porque onde elas estão não vai ficar uma porta de certeza absoluta! As portas vão todas parar mais à frente e por isso temos de andar em uníssono no sentido do metro. Se se deixarem um bocado para trás e deixarem o fenómeno desenrolar vão apreciar uns momentos fantásticos de humor. E depois entramos no metro exactamente no sitio onde estamos pois uma porta acaba por fugir sempre à regra e pára mesmo à nossa frente, poupando-nos várias calorias na corrida atrás da porta do lado...

Depois de entrar no metro também há outras particularidades (isto de ser pobre e andar em transportes públicos dá bastante material para escrita - o que também é outro sinal de pobreza, escritor é sempre pobre, a não ser que escreva sobre um adolescente com cabelo à tigela que pensa que vai ser o Luís de Matos quando for grande - nota: Luís de Matos é muito mau Harry!).
Ora, dentro do metro e em hora de ponta também vemos coisas interessantes, tal como o facto de vermos constantemente as mesmas pessoas à mesma hora com o mesmo ar ensonado, mal disposto e com cara de poucos amigos logo às 8:00 da manhã. Consequentemente, ao fim de alguns tempos começamos a ter crises de auto-estima porque como todos os dias vemos a mesmas pessoas, começamos a achar que: ou nos estão a perseguir, ou então estão ali para nos julgarem. "será que lavei bem os dentes? será que os lavei?", "tenho as meias a cobrir o fato? aquela tipa está a olhar para as minhas meias", "hum é melhor não tirar o telemóvel para a mão agora, que aquele tem ar de gatuno, no outro dia vinha de brinco". Também podemos ver isto de outra forma e pensarmos que, numa vida em que temos pouco tempo para que seja o que for, temos ali uma oportunidade de criarmos um grupo de amigos, pá, um grupo de amigos não podem ser pessoas com um interesse comum? ali temos uma série de pessoas que 1- se encontram todos os dias à mesma hora 2- estão sempre com o mesmo estado de espírito 3- querem todas chegar ao emprego e constatar que houve um atentado terrorista no edifício e não vão poder trabalhar logo vão voltar para a caminha (viram o uso de um diminutivo carinhoso para aligeirar a conversa?)

Outra situação que ocorre frequentemente é com aqueles lugares mesmo junto à porta que foram pensados para um metro que ande vazio, ora em horas de ponta esses mesmos lugares são um obstáculo a quem quer entrar ou sair do metro por qualquer razão, quiçá porque era essa a paragem onde deviam sair, os malucos... (gosto muito da palavra quiçá e vou tentar usá-la em todos os parágrafos ou até, numa atitude quase maquiavélica, quiçá, em todos os textos). Bom, esses lugares em hora de ponta são de facto um obstáculo, a os responsáveis do metro ao fim de 2 anos perceberam isso (alguém deve ter, quiçá, perdido a sua paragem mais do que uma vez), e portanto colocaram uns autocolantes onde se lê "não utilizar os lugares em horas de ponta". Resultou? Mais ou menos. É que os termos não foram muito explícitos e "hora de ponta" para uns não é o mesmo que para outros. O que é de facto uma "hora de ponta"? Para uns será entre 8 e as 9 e depois entre as 5 e as 7... para outros será mais tarde, para outros será um termo de um filme pornográfico... Devia haver um cheiro nauseabundo que se colasse à roupa de quem se sentasse nesses lugares nessas horas para que, de facto, quiçá, as pessoas deixassem de usar os ditos...
É que há sempre quem quebre a regra, seja uma senhora gorda que entra e não tem mais e senta-se na primeira prateleira que encontra para pousar os seus 200 kg de batatas fritas, queijo e fritos. Ora essas senhoras são precisamente uma hipérbole ao obstáculo que aqueles lugares já fazem pois já não basta eles impossibilitarem a entrada e saída de passageiros, como vem um hipopótamo e preenche o equivalente a 6 pessoas que comem salada em vez de batatas fritas ou 4 das minhas...
Eu acho que as pessoas gordas têm geneticamente duas características: tão sempre bem dispostas, e não querem saber do que os outros pensam desde que se possam sentar no metro. Como são gordas, as pessoas não vão dizer nada, coitadas.
Depois há outro grupo que gosta de usar esses lugares em hora de ponta, que são os adolescentes com mau aspecto, brincos nas orelhas e ar de quem vai gamar qualquer coisa ou trazer 50 amigos para nos bater, que se sentam imediatamente nesses lugares a mascar qualquer coisa, com um chapéu de ciclismo a dizer sicasal, calças rasgadas, correntes ao pescoço, brincos, piercings e a dizer 30 palavrões a cada 40 palavras, vá lá, 35. Estes apenas fazem valer a sua posição nos primeiros 5 minutos, porque depois ou alguém maior que eles lhes manda levantar e eles porque estão sozinhos e sem os 50 amigos, comem e calam para não levar uma humilhação em público com o metro cheio, ou então com a entrada das pessoas ao empurrões porque têm de entrar neste metro nem que matem alguém (por vezes é realmente isso que parece ao ver as pessoas a empurrar outras quando o metro já parece uma lata de sardinhas enlatadas sem espaço para respirar, mas eles querem, e conseguem mesmo entrar, diga-se a verdade. Ora, nestas situações, eles não têm hipótese e levantam-se para não serem esmagados pela multidão.

Ou seja, os gunas acabam por deixar de ser um problema, ficam as gordas.

Ir num metro tipo sardinha enlatada é um risco enorme senão vejamos o que nos pode acontecer e para o qual temos de estar atentos, mas sem grande margem de manobra:
Sermos gamados (e eu que vou há beto com um saca à tiracolo)
Sermos apalpados (se for uma gaja, que se lixe, mas pode ser um gajo)
Levarmos com o cheiro do sovaco deslavado do amigo do lado
Ir uma gaja com umas grandes mamas sentada na carruagem e não podermos contemplar a paisagem olhando para o vidro que faz de espelho (as técnicas são muitas meus amigos)
Termos um ataque de pânico e as pessoas ficarem contentes pois ao desmaiarmos, já há lugar para mais um à medida que nos esmagam com os pés
Não conseguirmos sair na nossa paragem (isso é realmente algo que me preocupa pois não sei o que seria de mim se tivesse que sair na paragem a seguir).

Por tudo isto, comecei a levantar-me mais cedo.

quarta-feira, junho 13, 2007

Tipo...

http://videos.sapo.pt/GnR4iyISmcKjJnRAj6cY

Podia deixar apenas o link, não são necessários comentários adicionais.

Mas atentem por favor aos primeiros segundos do vídeo...

Assim, faz mais sentido. Se nos abstrairmos do cabelo.

Gato Fedorento

A propósito da Gala dos Gato Fedorento, pus-me a pensar se de facto eles serão realmente um fenómeno ou se simplesmente aproveitaram uma oportunidade no mercado.

Não há dúvida que o Ricardo tem jeito para a coisa, e escreve muito bem. O Zé Diogo também tem piada, mas o Miguel e o Tiago são um bocadinho desensaboados, sem grande jeito para estarem à frente da TV, e, pelo que li no blog deles, sem grande jeito para a escrita. São, diria, os parentes pobres dos outros dois e andam um bocado à muleta destes, se bem que o Ricardo é o grande impulsionador do grupo e, sem ele, aquilo não passava da primeira série...

Se repararmos, os sketches são banais (e talvez aí está o grande trunfo deles), gozando com o próximo e com as coisas mais frequentes do dia a dia, indo buscar muita da inspiração ao Seinfeld e, acima de tudo, aos Monty Python. Aliás aos Monty eles em alguns casos praticamente adaptam sketches famosos ao português...

Ora, este tipo de humor é o mesmo que nós usamos no nosso circulo de amigos e não é assim tão difícil de produzir, eu, em meia horita de masturbação delinei 3 ou 4 sketches que teriam mais piada que a maioria dos deles, se eu tivesse um Ricardo para fazer de actor, porque pelo texto eu ia lá... (para para limpar os beiços)

Mas se nós pensarmos no que fazemos quando estamos juntos, em que gozamos uns com os outros permanentemente e nos fartamos de rir à custa disso, passar isto para texto não seria dificil e ter um personagem que diz "coiso" a qualquer pergunta ou compensar as fraquezas do orçamento com coisas como "isto não é o consultório? - Não, isso é no outro sketche, agora isto aqui é uma Repartição de Finanças" não parece complicado.

No fundo, e sem lhes tirar o mérito, é isto que eles fazem e com dois sacos mortos a tentar representar... Se olharmos para o "Diz que é uma espécie de maganize", eu a certa altura deixei de ver o programa (os últimos 5 ou 6 programas) porque o modelo estava completamente esgotado, e só se aproveitavam os tesourinhos, mas essa parte (a que tinha mais piada no fundo) era a mais fácil de produzir. Bastava seleccionar o momento de uma pré-selecção que a RTP certamente fazia (não me cheira que eram eles a vasculhar o arquivo da RTP ou conhecessem os momentos de cor, vá lá, os primeiros deviam ter na memória) e gozar depois com o ridiculo destas situações é bem mais fácil do que os textos que eles produziam nas suas séries anteriores.
Claro que o resto do programa que acentava nos acontecimentos da semana era muito mais complicado e desgastante de escrever e provavelmente por isso é que para o fim já não estava a alimentar as expectativas.

Espero que voltem ao modelo dos sketches e eu vou imaginando os nossos, com douradinhos à mistura, CM, faxes, etc e tal.

Coiso...

Santo António em Lisboa

Avisei....

Fui ontem à noite pela primeira vez ao Santo António em Lisboa.

No fundo são uma versão mais queque do São João do Porto.

Têm tudo o que há no Porto: povo nas ruas, imenso álcool, música popular, sardinha assada e muito festa. A diferença é que mesmo o pessoal com mau aspecto, no Porto eram uns meninos!!! Têm todos aspecto de florzinhas....

From Lisbon with love....

Renascimento!!!

Vá, vamos tentar reanimar este blog!!!

O meu próximo post é sobre o Santo António em Lisboa!!!